O coronavírus trouxe um impacto gigante ao dia-a-dia da NBA, como qualquer setor da sociedade. Mas, certamente, nenhum jogador viveu o terror da COVID-19 de maneira tão intensa quanto Karl-Anthony Towns: ele contraiu a doença e revelou ter tido noites assustadoras na longa jornada até a recuperação. Foi um verdadeiro pesadelo para um atleta que já havia perdido sete parentes nos últimos meses, incluindo a própria mãe, para a pandemia. 

“A COVID não me tratou bem. Parou a minha vida. Tive noites assustadoras. Eu não tive uma versão leve da doença e houve dias em que passei bastante mal, mas, ao longo de tudo isso, mantive minha família em mente. Foram eles que me motivaram na jornada, meus parentes e minha mãe, quando essa coisa tentava destruir meu corpo, cabeça e espírito. Eu tinha muita COVID dentro de mim, mas lutei para vencer”, contou o jovem astro do Minnesota Timberwolves. 

Towns voltou às quadras nessa quarta-feira, depois de um afastamento de mais de três semanas para tratar a doença, anotando 18 pontos e dez rebotes na derrota diante do Los Angeles Clippers. E o período estendido de ausência teve a ver com vários reflexos, que preferiu não detalhar, especialmente no final de janeiro. O pivô de 25 anos revelou que a devastação que a COVID fez na família tem uma provável motivação genética – e também sofreu isso na pele. 

“Cada caso é totalmente diferente do outro, pois cada ser humano é único. Ouvimos as histórias de pessoas que pegam COVID, ficam com sintomas por uns cinco dias e tudo acaba magicamente. Não foi assim comigo. Eu estou muito conectado geneticamente à minha mãe e isso não me ajudou. Essa foi uma das partes mais assustadoras. No final das contas, nada jogou em meu favor. Mas já sabia que seria uma jornada muito dura”, relatou um dos principais jovens talentos da liga. 

De certa forma, porém, Towns teve sorte: é uma atleta com ótima condição financeira, que pôde se tratar com os melhores médicos e apoiado por excelente medicação. Ele estava totalmente amparado nos piores momentos para superar a doença e seguir a vida. O craque é atormentado, no entanto, pela consciência de que é um caso raro e existem milhões de pessoas que estão enfrentando a pandemia pelo mundo sem a mínima condição de saúde. 

“Eu sinto-me muito culpado pelo tratamento que recebi. Esse cuidado deveria ser mais disponibilizado para todos, nos EUA e ao redor do planeta. E todo mundo deveria ter a chance de recuperar-se, manter-se saudável e seguir vivo. Existe uma questão mental muito difícil envolvendo tudo isso, pois possuo recursos que sei que muitas pessoas só poderiam sonhar em ter. Há vários demônios e muita culpa em mim”, desabafou o principal jogador do Timberwolves.  

Mas, se Towns ainda parece tentar retomar sua vida, a NBA está muito mais animada com a situação do mundo: sem público nos ginásios ou parte considerável da população vacinada, a liga planeja realizar o All-Star Game e passar por cima de acordo informal que possuía com os jogadores antes do início da temporada. O pivô sequer gostaria de estar em quadra agora, então a perspectiva de assistir à partida festiva é algo que encara como algo surreal e desprendido da realidade.    

“Pessoalmente, eu não acredito que deveríamos realizar o Jogo das Estrelas, mas o que sei sobre o assunto, né? Não tive nenhuma experiência com a COVID, provavelmente devem ter pessoas com muito mais conhecimento. Essa doença é real e nós precisamos encontrar soluções, traçar planos. Ela não vai embora nunca e não está desacelerando. Só vai ficar mais inteligente e adaptada, com o passar do tempo”, alertou Towns, sem esperança sobre uma solução rápida.