Russell Westbrook está prestes a alcançar, talvez, a maior façanha de sua carreira na NBA: ele só precisa de três triplos-duplos para superar o lendário Oscar Robertson e quebrar o recorde histórico da liga no quesito. E o integrante do Hall da Fama está na torcida, inclusive, para ver a sua marca de cinco décadas na liga ser derrubada. Ele declara-se um fã do astro do Washington Wizards e, na condição de admirador, se diz ansioso para ver o feito ser ultrapassado.

“Eu adoro o modo como Russell joga. É um indivíduo dinâmico, explosivo e aguerrido. Já foi trocado várias vezes e realmente não entendo isso, pois trata-se de um dos legítimos astros da liga. Eu acho que as pessoas não acreditavam muito que ele seria eficiente em Washington, mas faz um trabalho fabuloso. Não tenham dúvidas de que estou na torcida para que ele consiga quebrar o meu recorde. Espero que chegue lá”, afirmou o lendário ex-jogador, em entrevista ao jornal The New York Times.

Hoje, Westbrook é celebrado por seus 179 triplos-duplos e todos estão na expectativa da quebra de um dos recordes mais duradouros da NBA. É um panorama bastante diferente das décadas de 1960 e 1970, quando ninguém estava ciente de que Robertson escrevia história quase todas as noites em que entrava em quadra. O termo “triplo-duplo”, para se ter ideia, só foi cunhado nos anos 1980 e só se descobriu os espantosos números do ex-armador quando a liga recorreu aos seus arquivos.

“As pessoas não ligavam muito para as minhas performances. Não havia publicidade em cima de números na época. Também nunca pensei em pontos, rebotes e assistências. O pensamento era sempre em vitórias e nós não tínhamos um grande time em Cincinatti, então ninguém ligava para isso. Só quando foram buscar nos arquivos que descobriram tudo o que havia feito. Sinceramente, eu mesmo fiquei surpreso com as estatísticas”, admitiu um dos melhores jogadores de todos os tempos.

Não é só a maneira como os triplos-duplos são vistos que separam as cinco décadas de basquete entre Robertson e Westbrook. O jogo mudou radicalmente e as certezas que movem os times são muito opostas, com o foco das ações saindo do garrafão para ser voltado ao perímetro. Ao contrário de outros contemporâneos, porém, o apelidado “Big O” não faz competição entre eras: ele vê ambas, na verdade, como espelhos construídos sobre pilares diferentes.

“O basquete é diferente agora. É um jogo comandado pelos atletas e os torcedores: eles adoram as cestas de três pontos. Esses arremessos viraram o paralelo para os pivôs de antigamente: é o que pode fazer um treinador ser demitido. Se os seus chutadores não acertam os arremessos, acabou para o técnico. O basquete atual gira em torno de fazer mais pontos do que o oponente: você precisa matar as bolas de três e ganhar partidas”, resumiu o veterano, igualando diferentes eras do esporte.

Robertson acompanha, de longe, como as grandes atuações de Westbrook costumam ser minimizadas por parte do público e imprensa. É algo que, com recorde ou não, crê ser uma enorme injustiça. “Russell é um dos armadores de elite da NBA e acho ridículo que a imprensa esportiva critique-o por nunca ter sido campeão. Digo porque também passei por isso em Cincinatti, por dez anos. Atletas não vencem sozinhos. Você precisa do grupo certo de atletas para chegar ao topo”, encerrou o ídolo da NBA.