Nas últimas três temporadas, o Philadelphia 76ers se viu como um candidato ao título. Em 2019, foram eliminados por uma bola inacreditável de Kawhi Leonard, batendo o cronômetro no jogo 7 das semifinais da conferência Leste. No ano seguinte, a saída de Jimmy Butler e problemas com lesões fizeram que o Sixers caísse de produção, sendo varrido na primeira rodada. Na atual temporada, as chegadas do técnico Doc Rivers e do executivo Daryl Morey trouxeram mudanças para Filadélfia. Com algumas trocas simples, diversos problemas de espaçamento foram resolvidos, o que elevou a equipe a um patamar de contender e liberou Joel Embiid para assumir sua melhor forma da carreira.

Embiid tem média de 29 pontos por jogo em excelente eficiência: 63.4% de True Shooting. O primeiro ponto que chama a atenção é sua capacidade de cavar faltas. Ele é o sétimo jogador da liga com maior taxa de lances livres cavados por arremesso (20.84%). Associando isso ao seu altíssimo volume de jogo, o camaronês consegue gerar 11 lances livres por partida, maior marca da liga com sobras. Ao converter cerca de 86% dos mesmos, Joel consegue 1.7 pontos por tentativa nessa situação, que é altamente frequente, uma marca incrível e que leva a ataque muito eficiente.

Além das faltas, o pivô é um jogador de elite no post: são 1.07 pontos por posse (marca boa para ataques em meia quadra) no maior volume da liga (9.4 post ups por partida, maior marca da NBA, com quase quatro posses de vantagem para o segundo colocado!). Embiid também sabe pontuar no mano a mano, recebendo bolas mais longe da cesta: em 3.1 situações de isolation, ele gera 1.08 pontos. Curiosamente, o jogo de meia distância tem papel de destaque para o astro. Ele é o terceiro atleta que mais tenta bolas entre dez e 14 pés da cesta (o que inclui a cabeça do garrafão), e converte 50.6% das tentativas, uma marca de elite para a jogada, e útil como um todo, especialmente como “blefe”, permitindo infiltrações.

Um dos aspectos que possibilitou essa evolução de Embiid foi a melhoria do espaçamento do Sixers. As adições de Danny Green e Seth Curry, bem como o melhor aproveitamento de Tobias Harris, que agora é uma outra ameaça na meia quadra (tem se saído bem conduzindo pick-and-rolls, no mano a mano e no post).

Na transição, Ben Simmons tem comandado o ataque muito bem, fazendo com que o Sixers seja a terceira equipe da liga com mais pontos na situação. A questão é que, mesmo com isso tudo, o time ainda é o 13º ataque da NBA, com 113.6 pontos por 100 posses. Sim, é uma evolução comparada ao ano passado, mas nem assim a equipe consegue ter um ataque verdadeiramente de alto nível.

Vale ressaltar, porém, que Embiid perdeu boa parte da temporada: com ele em quadra, a eficiência ofensiva do Sixers é de 117.2, marca que estaria no topo da liga. Com o camaronês saudável, é possível que, nos playoffs, o desempenho ofensivo da equipe da Filadélfia cresça.

Defensivamente, o Sixers é simplesmente fantástico, com a terceira melhor defesa da liga. A equipe se destaca por ser a segunda que mais rouba bolas (especialmente graças a Ben Simmons e Matisse Thybulle), por ceder baixo aproveitamento na zona morta para seus adversários e por induzi-los a muitos arremessos na meia distância (onde acertam 35.7% das tentativas). Simmons é grande parte disso, especialmente por sua versatilidade em marcar jogadores de uma quantidade grande de perfis. Ele é acima da média defensiva em todos os tipos de jogadas disponíveis nos dados do Synergy. 

O Sixers já está no topo do Leste, e isso contando que o seu melhor jogador perdeu uma boa parte da temporada. Sua defesa, liderada por Simmons, força um alto volume de erros e é de elite,  enquanto seu ataque, na presença de Embiid, está entre os melhores da liga. Com isso, é difícil não ver o Sixers como um candidato ao título. Talvez não seja exatamente favorito, mas vejo  Philadelphia com reais chances de conquistar o troféu de campeão.

 

* Por Matheus Gonzaga e Pedro Toledo (Layups & Threes)