Atuações assombrosas tornaram-se rotina na carreira de Russell Westbrook – e, nessa segunda-feira, ele pode ter protagonizado uma das mais sensacionais delas. O craque do Washington Wizards comandou a vitória sobre o Indiana Pacers anotando 14 pontos, 21 rebotes e 24 assistências – as duas últimas, por sinal, suas maiores marcas na carreira. Para o técnico Scott Brooks, o impacto incomum de Westbrook em quadra faz com que já seja o segundo melhor armador da história da NBA.

“Armadores não fazem o que Russell faz em quadra, noite após noite. Não é normal. Há quem arremesse melhor, mas, em todos os tempos, nenhum outro atleta da posição foi capaz de ter um impacto tão forte em tantas áreas diferentes do jogo quanto esse cara. Ninguém. Ele é um jogador subestimado e pouco apreciado, sem dúvidas. É o segundo melhor armador da história desse esporte, abaixo de Magic Johnson”, reverenciou o ex-armador, em entrevista após a vitória por 154 a 141.

Westbrook torna-se, assim, o dono da terceira atuação com mínimo de 20 rebotes e 20 assistências na história da NBA. É a segunda vez que ele alcança tais números em uma partida, enquanto a outra foi feita pelo lendário Wilt Chamberlain, na década de 1960. A performance ainda confirma a quarta campanha em que o astro de 32 anos terminará com média de triplo-duplo, algo que só havia sido feito – e em apenas uma temporada – anteriormente pelo ícone Oscar Robertson.

“Quando eu vim para Washington, o meu foco era simplesmente encontrar maneiras de fazer o jogo mais fácil para todos ao meu redor – em especial, Bradley Beal. Só quero facilitar. Acho que aprimorei-me nesse sentido. E o próprio time, na verdade, melhorou acelerando o jogo e espaçando a quadra. Sinceramente, eu acredito que seja o melhor criador de jogadas da liga. Faço coisas que nenhum outro jogador consegue”, cravou o veterano, que lidera a liga com média de 11.0 assistências por partida.

Os números históricos não param por aí: a atuação dessa segunda coloca Westbrook a somente quatro triplos-duplos de superar Robertson e tornar-se o recordista do quesito na história da liga. Com sete partidas para o fim da temporada do Wizards, a tendência é que a marca seja atingida ainda nessa campanha. E suas atuações vem se traduzindo em sucesso para a equipe de Washington: foram nove vitórias nos últimos 12 jogos, o que coloca o time próximo da oitava posição do Leste.

“Sinto que tudo o que Russell faz é para facilitar o jogo de quem está a sua volta. Todos os jovens podem correr a quadra sem que o jogo saia do controle. Estamos jogando com mais unidade porque ele faz tudo parecer mais fácil e coeso. E isso sem contar a loucura que é termos um armador que pega 20 rebotes em um jogo. Isso é normal? Louco, cara. E é isso todas as noites”, afirmou o ala-pivô Rui Hachimura, que anotou 27 pontos e sete rebotes na vitória sobre o Pacers.

A carreira de Westbrook pode até sugerir um armador para reescrever a história na NBA, mas sua trajetória é cheia de críticas de vários setores pelo suposto estilo de jogo voltado para estatísticas pessoais e que não privilegia seus companheiros de time. A visão negativa não é compartilhada por absolutamente nenhum colega atual ou passado, que sempre foram unânimes em elogiar a postura e altruísmo do vencedor do prêmio de MVP da liga em 2017. E ele já escolheu, em vez de lutar contra uma imagem equivocada, atender as próprias (altíssimas) expectativas.

“A cada noite, eu entro em quadra com o único pensamento de impactar positivamente o meu time. Penso em fazer cada atleta ao meu redor melhor. Essa foi uma dessas noites em que várias coisas deram certo, mas tem muita coisa por trás disso. Eu tenho muito, mas muito orgulho de ser o jogador mais esforçado que posso, da energia incondicional com a qual jogo e do tempo que passo estudando, assistindo vídeos de jogos, antes de cada partida”, encerrou o craque, em plena paz consigo mesmo.