Nenhum outro país registra mais casos e mortes pelo coronavírus no planeta do que os EUA. E, aos poucos, o basquete profissional vai flertando perigosamente com a situação fora de controle encarada pelos norte-americanos. Os técnicos da NBA começam a lidar com desfalques por conta de casos possíveis ou confirmados de COVID e jogos adiados identificando um cenário que aproxima-se do caos competitivo e sanitário. 

“Os números estão aumentando, em nosso país e NBA. Essa é a realidade. Nós estamos comprometidos com os procedimentos de nossa liga, ouvindo tudo o que a ciência diz e aderindo aos protocolos, mas, no final das contas, não temos qualquer controle sobre o vírus”, refletiu o treinador do Miami Heat, Erik Spoelstra, que teve sua partida contra o Boston Celtics, nesse domingo, adiada pela falta de atletas ativos do adversário. 

Mais dois jogos já foram adiados pela NBA por conta da incapacidade de relacionar oito atletas saudáveis para a partida: Dallas Mavericks e New Orleans Pelicans não ocorrerá nessa segunda-feira, enquanto Celtics e Chicago Bulls não vão atuar na terça. A equipe de Boston, no entanto, pode considerar-se uma “privilegiada”: diferente do Philadelphia 76ers, ela está conseguindo comprovar a necessidade de adiamento. 

“Estou olhando para as estatísticas de hoje e tivemos três calouros atuando mais de 40 minutos. O pior é que não havia como evitar isso. Agora, nós jogaremos em dois dias e ainda mais uma vez com esses desfalques. Temos que ser cuidadosos em como vamos gerir o elenco e a carga sobre esses atletas nas próximas semanas”, disse o técnico do SixersDoc Rivers, que contou com sete atletas na derrota para o Denver Nuggets. 

Apesar do cenário conturbado, com um flagrante desequilíbrio competitivo, a NBA não parece nem cogitar a paralisação do torneio. Todos os profissionais envolvidos na liga sabiam que uma temporada fora de uma “bolha” e sem limitações de circulação traria inevitáveis casos da doença para o dia-a-dia. Com essa consciência, o treinador Rick Carlisle vê um cenário a ser não só lamentado, mas enfrentado de frente por todos. 

“Nós precisamos manter a calma, antes de qualquer coisa. Temos que traçar um plano para encarar essa adversidade. A NBA já sabia que esse tipo de situação era uma real possibilidade e vamos ter que lidar com isso, de fato. É assim que tudo funciona aqui”, apontou o comandante do Mavericks, uma das franquias afetadas por possíveis surtos internos do vírus, que também é o presidente da Associação dos Treinadores da liga. 

O comissário Adam Silver não se intimida com a situação, mesmo com jogos adiados começando a ameaçar um calendário já muito apertado, porque não vê o “auge” da doença na liga como uma surpresa. “Sabíamos que janeiro era o pior mês, mas nós estamos otimistas de que avanços serão feitos a partir de fevereiro e deixaremos os piores dias para trás”, indicou, em reunião recente com a Associação dos Jogadores. 

De acordo com Adrian Wojnarowski, da ESPN, uma reunião especial com os gerentes-gerais da NBA foi marcada para essa segunda-feira. A intenção inicial é intensificar o rigor do cumprimento dos protocolos de saúde e segurança da liga, dentro e fora das quadras. Mas o técnico do Celtics, Brad Stevens, espera que a direção da liga saiba identificar se, em algum momento, a única forma de proteção for parar tudo.     

“Eu acho que não podemos ignorar a realidade: os casos estão em crescimento na liga. Nós fazemos tudo o que é possível para prevenção e o vírus segue encontrando formas de entrar. Todos estamos trabalhando em nível de risco agora e não há como controlar. Aceitamos isso porque confiamos nas pessoas à frente dos protocolos, mas, se tivermos casos demais, alguém precisará tomar uma decisão mais drástica”, alertou Stevens. 

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