Quem levará o troféu de jogador mais valioso da temporada? É para tentar acompanhar essa corrida, que mobiliza tantos jogadores e analistas, que o Jumper Brasil apresenta o “Na Trilha do MVP”: a nossa série de artigos em que convidamos integrantes do site e convidados especiais para analisarmos o estado dessa disputa. Hoje, na sexta edição da temporada, o destaque é o astro Nikola Jokic, que chega ao topo da disputa pelo MVP por mostrar maior durabilidade do que os lesionados concorrentes na NBA.

E como funciona essa votação? Nós pedimos para cada um dos eleitores da semana elegerem o seu TOP 10 na corrida para MVP e pontuamos de forma proporcionalmente inversa à posição em que os atletas foram citados – o primeiro ganha dez pontos e por aí em diante até o décimo colocado, que ganha um ponto.

Os votantes dessa semana são três membros do Jumper – os editores Gustavo Lima, Gustavo Freitas e Ricardo Stabolito Jr. – e os convidados especiais Lucas Pastore, do portal UOL Esporte, e Ricardo Romanelli, da rede de podcasts “Basquete FM”.

Eu vou repetir um mantra que já discutimos nessa coluna: a NBA é uma maratona. Isso quer dizer que não adianta simplesmente correr rápido e abrir vantagem, você precisa ser consistente e chegar até o final de pé. Parar no meio do caminho e repousar não é uma opção. As pessoas costumam utilizar essa lógica para explicar o caminho de uma equipe campeã, por exemplo, mas isso também vale para os prêmios individuais da temporada. O prêmio de MVP, em especial, não perdoa ausências longas.

Até hoje, só três atletas ganharam a maior honraria individual da liga disputando menos do que 70 partidas em uma temporada: Bill Russell, Bob Cousy e Bill Walton. Os dois primeiros possuem um excelente motivo para isso, já que as lendas do Boston Celtics, na década de 1950, disputavam campanhas de 72 jogos. Walton é o caso totalmente fora da curva na história da liga, na condição de um vencedor do prêmio que disputou somente 58 de 82 compromissos.

O ex-pivô do Portland Trail Blazers é o único premiado da história a perder mais do que 13 jogos de uma temporada. Isso significa, dentro dos parâmetros da campanha de 82 partidas costumeira da liga, ser desfalque em pouco menos de 16% do calendário das franquias. Em uma competição regular de 72 datas, como a que estamos vivendo por conta de limitações da pandemia da COVID-19, temos a “permissão” de perder de 11 a 12 confrontos.

A história diz que, se você não quiser depender de uma votação praticamente sem precedentes (simbolizada apenas por Walton), o candidato ao prêmio de MVP da temporada pode perder de 11 a 12 jogos nessa temporada.

Até agora, para nível de acompanhamento, LeBron James perdeu sete dos 48 jogos do Los Angeles Lakers e continua como desfalque por tempo indeterminado. Joel Embiid, por sua vez, já estourou a quota há algum tempo: são 17 ausências em 48 partidas. O camaronês, se conquistar o prêmio, já vai constituir um caso histórico.

Vamos, então, à sexta edição da temporada 2020-21 do “Na Trilha do MVP” do Jumper Brasil:

 

10. Chris Paul (Phoenix Suns)

Votação: 7 pontos
Última edição: 12o lugar

Observar a evolução do Suns nessa temporada, ocupando a segunda colocação do Oeste após nem ter chegado aos playoffs no ano passado, tem sido impressionante. E é difícil não vincular esse crescimento de um jovem elenco, sem grandes resultados até as oito vitórias seguidas na bolha, à chegada do veterano Paul. “Chris pensa o jogo de formas como caras normais não podem. Para um atleta como eu, especialmente, saber que há alguém ao meu lado que não tolera erros nos momentos decisivos é valioso. Ele presta atenção aos detalhes e sempre está em meu ouvido”, contou o pivô Deandre Ayton.

 

9. Stephen Curry (Golden State Warriors)

Votação: 11 pontos
Última edição: 6o lugar

Desde o Jogo das Estrelas, as especulações sobre uma improvável reunião entre Curry e LeBron James em um futuro próximo na NBA crescem a cada dia. Eu acho uma reação muito compreensível, na verdade: as pessoas veem os dois craques atuando juntos pela primeira vez, sorrindo e comemorando cada cesta, e fica difícil não imaginar como seria ver isso noite após noite por uma temporada. Mas, como esperado, não se animem com isso. De acordo com Nick Friedell, da ESPN, não existe nenhum dirigente nos bastidores da liga que duvide que o armador vai renovar com o Warriors na offseason.

 

8. Luka Doncic (Dallas Mavericks)

Votação: 13 pontos
Última edição: 10o lugar

Uma das grandes dúvidas que existia em torno do prospecto Doncic, na época do draft, era sobre sua margem de evolução: dava para ser muito melhor do que já era? Dava. Hoje, aos 22 anos, o jovem craque possui médias de 30 pontos e triplo-duplo por jogo. Difícil pensar que dá para atingir um outro nível, certo? O técnico Rick Carlisle garante que vai alcançar. “Eu sei que isso pode parecer maluco, mas eu acho que Luka possui um enorme upside ainda a ser trabalhado daqui para frente. Posso vê-lo continuar evoluindo em todas as áreas do jogo”, cravou o treinador do Mavericks.

 

 

7. Kawhi Leonard (Los Angeles Clippers)

Votação: 16 pontos
Última edição: 6o lugar

O Clippers passa longe de ser uma das melhores defesas da liga, mas Leonard parece estar correndo atrás do prejuízo. O ala registra média de 2.5 roubos de bola desde o Jogo das Estrelas e teve, ao menos, uma roubada em todas as 12 partidas realizadas. “Kawhi assumiu o desafio e, assim que começa o jogo, dita o ritmo defensivo para o nosso time. Todos estão seguindo a sua postura, em termos de esforço na marcação. Nós precisávamos disso todas as noites e ele tem feito isso em todos os sentidos possíveis”, exaltou o treinador Tyronn Lue.

 

6. Damian Lillard (Portland Trail Blazers)

Votação: 26 pontos
Última edição: 7o lugar

Logo depois do All-Star Game, Lillard teve a sua melhor performance da temporada em uma incrível vitória de virada do Blazers contra o New Orleans Pelicans: ele marcou 50 pontos e distribuiu dez assistências. Foi a terceira vez que o craque teve uma atuação com tais números – o que é mais do que lendas da NBA como Wilt Chamberlain, Elgin Baylor e LeBron James. Na verdade, só outros três atletas na história da liga tiveram, pelo menos, três jogos com 50-10: Russell Westbrook (3), Tiny Archibald (3) e James Harden (8).

 

5. LeBron James (Los Angeles Lakers)

Votação: 33 pontos
Última edição: 3o lugar

O impacto da ausência de um jogador sobre uma equipe deveria pesar na corrida por um prêmio como o MVP da temporada? Isso é raramente levado em conta, mas, se fosse, poderia ser convertido em um forte argumento a favor de LeBron. Contando a partida em que saiu contundido, o Lakers perdeu seis dos oito jogos em que ele não atuou na temporada (as duas vitórias aconteceram diante dos péssimos Cleveland Cavaliers e Orlando Magic). Os últimos sete jogos foram brutais para o ataque dos angelinos, que simplesmente passou a produzir 11.5 pontos a menos por 100 posses de bola.

 

 

4. Giannis Antetokounmpo (Milwaukee Bucks)

Votação: 35 pontos
Última edição: 5o lugar

Antetokounmpo vem crescendo a cada semana na temporada e, após duas temporadas premiado como MVP, fica fácil passar despercebido o que tem feito. O astro grego, por exemplo, vem registrando a maior média de assistências da carreira (6.3) sem alarde. “Giannis está jogando em um ritmo diferente. Mais controlado, mais seletivo sobre os seus pontos de ataque. É o tipo de coisa que só se adquire com a maturidade, sabe? Ele é um jogador melhor do que nos últimos dois anos, definitivamente”, reconheceu o GM do Bucks, Jon Horst, indicando que o ala deveria levar o prêmio pela terceira vez.

 

3. James Harden (Brooklyn Nets)

Votação: 37 pontos
Última edição: 4o lugar

Triplos-duplos com, no mínimo, 30 pontos são uma raridade na carreira da maioria dos jogadores. Para Harden, porém, é quase só mais um dia comum de trabalho: o craque acaba de completar 30 atuações com tal marca na NBA. Quatro deles aconteceram em suas 33 primeiras partidas pelo Nets – que ainda inclui mais três TDs em que marcou exatos 29 pontos. Só outros três jogadores na história da liga já acumulam 30 triplos-duplos com mínimo de 30 pontos em seus currículos: LeBron James, Oscar Robertson e Russell Westbrook.

 

2. Joel Embiid (Philadelphia 76ers)

Votação: 40 pontos
Última edição: 1o lugar

Após um início de temporada desastroso quando não tinha Embiid em quadra, o Sixers precisou aprender na marra a competir sem o camaronês. O time venceu sete de seus últimos dez jogos atuando desfalcado, depois de ter perdido cinco das seis partidas do começo da campanha em que entrou em quadra ausente do craque. Mas, finalmente, essa situação está para terminar. Segundo Shams Charania, do portal The Athletic, o principal jogador da equipe está recuperado de lesão e deve voltar às quadras nesse sábado, contra o Minnesota Timberwolves.

 

 

1. Nikola Jokic (Denver Nuggets)

Votação: 47 pontos
Última edição: 2o lugar

Em uma temporada com vários candidatos a MVP, durabilidade é o nome da vantagem crucial de Jokic sobre a concorrência: ele esteve nos 48 jogos de Denver na campanha e é o segundo jogador com mais minutos de ação na liga (1.711), apenas atrás de Julius Randle. Isso sem contar que estamos falando de um soberbo jogador de basquete em um momento inspiradíssimo. “É difícil não ficar empolgado com a qualidade do seu jogo atualmente. Nikola é o MVP. É simplesmente o melhor jogador do planeta hoje”, cravou o presidente do Nuggets, Tim Connelly.

 

Outros jogadores citados na votação: Donovan Mitchell (Jazz, seis pontos), Julius Randle (Knicks, três) Rudy Gobert (Jazz, um)