“Ele está a dois anos de estar a dois anos de jogar na NBA” 

O comentário do analista Fran Fraschilla, da ESPN, após o brasileiro Bruno Caboclo ter sido selecionado na 20ª posição do draft de seis anos atrás tornou-se piada instantânea na internet. O jovem ala não gostou da situação, obviamente, mas o tempo provou que havia muita verdade naquela avaliação. O próprio jogador brasileiro reconhece que sua jornada na NBA até agora tem sido marcada por desenvolvimento e persistência. 

“Eu senti-me bem na primeira vez que joguei na NBA. Senti que pertencia àquele nível. Mas você precisa ganhar respeito a cada dia aqui e ninguém ficará passando-lhe a bola enquanto não provar que merece. Ninguém olhou muito para mim quando cheguei ao Toronto Raptors. Tive que aprender a ser paciente e jogar duro, mesmo sem receber um único passe”, contou o atleta de 24 anos, em entrevista à revista Sports Illustrated

Caboclo só disputou 25 partidas em quatro anos no Raptors, passando a maior parte do tempo “encostado” na G-League e sem perspectivas de espaço no time comandado por Dwane Casey. Não demorou para que ele tivesse a visão de que a sua chance não viria no Canadá. Essa impressão foi somente confirmada quando, em janeiro de 2019, o ala encontrou um ambiente muito diferente ao ser contratado pelo Memphis Grizzlies.  

“Todos diziam que jogaria todos os anos no Raptors, mas realmente ficava de canto na maior parte do lado. Podia ver o que estava acontecendo. O Grizzlies foi uma mudança grande: eles deram-me as boas-vindas de imediato, Marc Gasol tratou-me tão bem e os técnicos eram sensacionais, davam muito apoio. Memphis foi um ótimo lugar para mim”, elogiou o jovem, uma das revelações da equipe na temporada passada. 

Parecia que o futuro de Caboclo seria no Tennessee, mas não foi: na atual campanha, com a chegada do técnico Taylor Jenkins, o brasileiro perdeu muito do espaço que ganhou nos meses anteriores e quase desapareceu da rotação. Ele revela que, com a iminência de tornar-se agente livre, pediu para ser negociado à direção de Memphis como um recurso de conseguir maior visibilidade e garantir a permanência na liga. 

“Eu estava em uma encruzilhada: se não jogasse, poderia estar fora da NBA em alguns meses. Precisava de tempo de quadra e foi quando o Rockets apareceu. Sabia que não teria minutos a depender da situação, mas acho que essa pausa pode ajudar-me: todos voltarão parados, começa do zero, então tenho chances de ganhar espaço nos playoffs”, avaliou o jogador, projetado como um pivô para as formações baixas de Houston. 

Fraschilla projetou que Caboclo estaria preparado em quatro anos, mas, seis temporadas depois, ele ainda busca o seu espaço na liga. A diferença é que, hoje, ele sabe que uma grande chance na NBA exige doses parecidas de preparação e paciência. “Acredito que posso jogar no mais alto nível e alcançar grandes feitos na NBA. Algumas pessoas veem o meu talento. Só preciso encontrar o time certo”, garantiu o futuro agente livre. 

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